Gostava de conseguir expulsar a raiva através das palavras, através das frases com sentido, que já não consigo construir. Gostava de voltar a ter o tempo do meu lado, em que cada segundo era meu amigo e não meu inimigo. Agora o avesso é mesmo o avesso, a queda foi grande, e para além de ter que me erguer, ainda tenho que encontrar o lado certo da vida. Não tenho nada a perder, mas isso tira-me a vontade de ganhar. Não tenho lágrimas nem sorrisos, tenho a alma que de vez em quando perde-se no espaço que agora é apenas meu. Para além das minhas paredes, sei que existe o ‘eu’ que não entrou pela porta do meu abrigo e que agora quero voltar a encontrar. Quero que a frieza da minha pele não seja mais a do meu coração, quero ter a coragem de sair daqui e de me voltar a encontrar. Quero as minhas certezas de volta, elas que impedem que os meus erros se reflitam naquilo que sou. A única promessa que faço é que quando voltar a estar de pé ninguém mais me vai conseguir sequer fazer baixar a cabeça.

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