O Outono grita a sua chegada com a ajuda do uivar do vento que arrasta as folhas já caídas das árvores que outrora floriram. São os primeiros sinais de uma mudança certa: a trovoada estridente ecoa no balançar das janelas que nos separam da tempestade.
A Natureza muda enquanto os seres continuam na mesma caminhada, com a mesma lei da sobrevivência exagerada que lhes cicatriza a pele enquanto lutam em guerras que eles próprios criam. Pedem clemência. Ela não vem, já é tarde demais. Perceberam que não importa lutar por um ciclo que na vida não existe: dão tudo, mas nunca receberão retorno na mesma quantidade. E isso sim é uma etapa: começa a ferir, até eles perceberem que as palavras bonitas são descartáveis perto das atitudes dementes. E é também aí que eles começam a exigir mais deles próprios, e a exigir menos dos outros.
Depois de refletir, e voltando a olhar para o temporal, percebe-se que afinal a Natureza é tão suave, tão perfeita, tão certa… e que os únicos errados somos nós.

Quando nasci, o meu avô já tinha morrido. Nunca o conheci , infelizmente. Mas sei, por todas as histórias que ouvi, que partilhava o mesmo amor que ele. Ele também tinha sangue verde e branco, corria-lhe nas veias o poder de ser Sporting. Apesar de tudo, sinto que herdei isso dele, que é essa a parte dele que ficou aqui comigo. Sei que tenho uma pesada herança para suportar, mais do que qualquer outra que possa querer. Hoje, penso o quão bom seria que ele me tivesse ensinado a ver futebol, a jogar futebol, a respirar futebol. Não teve tempo de o fazer, mas talvez tenha tido tempo de me ver lá de cima e de me ensinar a fazer tudo isso sem que eu desse conta. Secalhar eu não aprendi sozinha, tal como julgo.
Há alguns anos atrás, eu comecei a ver o Sporting. Comecei a sentir o amor inexplicável dentro de mim. Eu sabia que nunca mais me ia separar do símbolo do leão, da bola autografada ou dos posters dos meus ídolos. Eu via garra, ambição, desejo, coragem. Eu via uma nação unida, com lágrimas e sorrisos, tarjas e petardos a cantar bem alto.
Eu vi o Sá Pinto mostrar como se joga com amor à camisola, vi o Pedro Barbosa ser o exemplo do que deve ser um capitão. Vi o Pinilla ser um exemplo, uma inspiração, enquanto não chegava um russo chamado Marat Izmailov. Vi o Paulo Bento acabar a carreira e tornar-se treinador do nosso clube.
Em 2002, vi o Anderson Polga, na altura de cabelo comprido, tornar-se campeão do Mundo pelo Brasil. Mais importante do que isso, eu vi o Boloni dar-nos o título de CAMPEÕES e a festa no Marquês com Lisboa pintada com as nossas cores. Vi muitos mais momentos memoráveis, vi a chegada à final da taça UEFA em 2004 contra o CSKA Moscovo, e em 2005 ainda vi o Paito correr desde o nosso meio-campo, fazer uma cueca ao Luisão e marcar o golo que nos deu o 4-2 e a vitória num jogo da Taça. Em 2008 vi o Sporting virar um resultado de 2-0 ao intervalo contra o maior rival, acabando 5-3 a nosso favor.
Eu já vi o suficiente para acreditar que este é o MELHOR CLUBE DO MUNDO, o MEU CLUBE e que NINGUÉM o vai derrubar.
Por isso mesmo quero ESFORÇO, DEDICAÇÃO e DEVOÇÃO de todos porque só juntos e unidos chegaremos à GLÓRIA.
Sei que hoje o meu avô estaria orgulhoso por eu defender a minha família, a minha equipa, a minha vida e garanto que não há amor maior que este! ♥