terça-feira, 31 de julho de 2012

Novo rumo, nova paragem

Naquele dia, chovia torrencialmente, enquanto o comboio abrandava lentamente a marcha denunciando a proximidade do meu ponto de chegada. Peguei nas minhas malas e saí. Senti-me gelar debaixo daquele rio de água caído dos céus. Procurava um local de abrigo, quando avistei um espaço acolhedor ao virar da esquina, o qual me pareceu bem. Por lá fiquei, enquanto aquecia a alma com o chá que havia pedido, tentando que o efeito se alastrasse à roupa encharcada. Fui folheando o jornal, tal como fazia todos os dias, na esperança de que o Mundo estivesse um pouco melhor. Em vão. Decidi apreciar o pouco que se via da janela, já que o nevoeiro tinha tomado conta do horizonte, sabendo que aquela seria mais uma cidade no meio da aventura, com a mesma azáfama de sempre. Não conheceria pessoas novas, pois isso requeria tempo e eu não o tinha. No máximo levaria comigo um pouco daquilo que cada um teria para me dar. No fundo, conheceria toda a gente e ninguém. Com isto, dei por mim a fazer uma pausa na rapidez da vida, e percebi que estava com o Mundo, comigo, porque afinal de contas, melhor ou pior, eu sou o Mundo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Fairytale

Nós criámos um Mundo diferente, um Mundo só nosso. Um Mundo forte que não cai, nem que seja apedrejado todos os dias. Esse Mundo tem muralhas, e dentro delas nós construímos um castelo. Lá vivem duas princesas: elas são as diferenças, são as semelhanças. São o fogo, são a água. São a terra, são o ar. São a alegria, são a tristeza. São a força, são o medo. São a alma, são o corpo. São o tudo, jamais serão o nada. São o melhor, nunca serão o pior. São o conjunto, são a perfeição. É dentro do castelo que elas partilham os segredos, já que ali reina a confiança. É ali que se passa o que só elas compreendem, e aquilo que os outros nunca perceberão. É ali que elas ficam quando o Mundo lá fora está a ruir, porque ali elas nunca cairão. Não há egoísmo, não há inveja, não há defeitos. E aconteça o que acontecer, elas têm-se uma à outra. Elas podem sorrir e chorar sem que os outros saibam. Elas conhecem-se como ninguém uma à outra, tanto que nem precisam de palavras. Elas conseguem perceber-se só com o olhar, conseguem ser felizes assim. Elas são aquilo que muita gente gostava de ter e não tem. E se já era difícil derrubá-las antes de estarem juntas, agora tornou-se impossível. Se elas têm uma vida fora daquelas muralhas? Claro que sim, mas elas nunca saem de lá uma sem a outra.

Essas princesas somos nós ♥