Novo rumo, nova paragem

Naquele dia, chovia torrencialmente, enquanto o comboio abrandava lentamente a marcha denunciando a proximidade do meu ponto de chegada. Peguei nas minhas malas e saí. Senti-me gelar debaixo daquele rio de água caído dos céus. Procurava um local de abrigo, quando avistei um espaço acolhedor ao virar da esquina, o qual me pareceu bem. Por lá fiquei, enquanto aquecia a alma com o chá que havia pedido, tentando que o efeito se alastrasse à roupa encharcada. Fui folheando o jornal, tal como fazia todos os dias, na esperança de que o Mundo estivesse um pouco melhor. Em vão. Decidi apreciar o pouco que se via da janela, já que o nevoeiro tinha tomado conta do horizonte, sabendo que aquela seria mais uma cidade no meio da aventura, com a mesma azáfama de sempre. Não conheceria pessoas novas, pois isso requeria tempo e eu não o tinha. No máximo levaria comigo um pouco daquilo que cada um teria para me dar. No fundo, conheceria toda a gente e ninguém. Com isto, dei por mim a fazer uma pausa na rapidez da vida, e percebi que estava com o Mundo, comigo, porque afinal de contas, melhor ou pior, eu sou o Mundo.
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