tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
(...)
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste"
Carlos Drummond de Andrade
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Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou me cruzei...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando o passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não vai ser da forma como quero...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu a correr,
sem me conhecer bem,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.""
Clarice Lispector

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